segunda-feira, 26 de junho de 2017

Trovoadas e dificuldades


What have I got to do to make you love me
What have I got to do to make you care
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you're not there

What do I do to make you want me
What have I got to do to be heard
What do I say when it's all over
And sorry seems to be the hardest word

It's sad, so sad
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's sad, so sad
Why can't we talk it over
Oh it seems to me
That sorry seems to be the hardest word



Luto

A minha avó morreu exactamente um mês antes de eu fazer 10 anos. Como era uma pessoa a quem eu era muito chegada, o meu pai deve ter tido um pequeno ataque de ansiedade por minha causa e os meus pais mandaram-me com a minha irmã para casa de umas primas da minha mãe, pois não queriam que eu estivesse exposta ao luto.

Só para verem o quão chegada eu era à minha avó, basta saberem que a minha primeira grande discussão com os meus pais, quando eu tinha uns sete anos, foi eu a argumentar que eu não era filha da minha mãe: dizia-lhes eu, com toda a veemência que se pode ter aos 7 anos e provavelmente com os olhos muito arregalados, prestes a engolir o mundo, como anos mais tarde me diria a minha mãe que eu faço quando discuto com alguém, que a minha avó é que era a minha mãe pois era a pessoa que cuidava de mim. Eu era filha da avó; não era filha da mãe...

Coitada da minha mãe; era um bocado injusto ter ouvido aquilo porque a minha avó adorava-me tanto que basicamente me tirou à minha mãe e a minha mãe, que andava tão stressada e não sabia para onde se virar, entre trabalho, marido, mãe, filha, e doença, não se intrometeu entre mim e a minha avó. Nesse luto, talvez ir para casa das primas tivesse ajudado a minha mãe também, pois durante alguns dias não precisava de se preocupar com as filhas, enquanto vivia o luto da perda da sua mãe. Não sei bem o que ela sentiu, mas agora que penso nisso, tenho pena de não lhe ter perguntado como é que foi o luto dela. Depois das pessoas morrerem, há tantas perguntas que aparecem e que ficam por responder. Também nunca lhe perguntei a sua cor preferida, mas acho que devia ser azul.

No ano a seguir, morreu o meu avô, mas eu não era a preferida dele e ele nem era muito próximo de mim, se bem que tivesse maior afinidade com a minha irmã, só que ela era uma criança muito mais feliz do que a macambúzia da Rita, que parecia viver um drama constante, separada do mundo real, em que as pessoas frequentemente lhe diziam que era triste e aborrecida, para além da banalidade de ter olhos e cabelos castanhos. (Os adultos dizem cada parvoíce às crianças que até as crianças percebem que os adultos são parvos.)

Apesar de morar connosco desde que ficara incapacitado de viver sozinho, os meus pais acharam que a morte do meu avô não me afligiria muito e pude ficar em casa e viver o luto da família, que consistia em a minha mãe vestir preto por uns dias e não se ligar a televisão, nem se tocar música. Lembro-me de a minha mãe e as vizinhas conversarem acerca do número de dias que era adequado para se observar o luto, mas não me recordo da resposta.

Os meus pais enganaram-se. Depois do meu avô morrer, ganhei uma fobia temporária e durante alguns anos não consegui tocar em nada que pertencia ao meu avô ou à minha avó. Tinha medo dos objectos das pessoas mortas, especialmente do chapéu que o meu avô tinha usado. Por vezes, ficava parada a olhar para as coisas e a pensar, com um ligeiro nó na garganta, que não lhes podia tocar. Nunca disse a ninguém na altura que tinha esse medo. Percebi desde cedo, que não convém partilhar os nossos medos com os outros, especialmente quando somos pequenos e as pessoas grandes parecem tão complicadas e não nos oferecem grandes evidências de saberem o que estão a fazer.

É muito difícil controlar a nossa reacção a tragédias porque não obedece à lógica e muitas vezes ilustram mais os nossos medos do que outra coisa. O que é a reacção normal? Às vezes nos funerais, vê-se as pessoas a chorar e a falar com os mortos. Isso aconteceu no funeral da minha mãe, em que uma das suas melhores amigas ficou muito emocionada e, a certa altura, encontrei-me entre o caixão da minha mãe e a amiga a consolá-la e achei um bocado estranho estranho estar ali a vê-la ter uma reacção que eu nunca teria. Muitas vezes não sei como reagir, mas tenho medo de reagir mal e então fico num estado de suspensão, à espera que as coisas mudem até me sentir mais confortável e à vontade para reagir.

No dia do enterro, a minha mãe estava no meio da sala, no mesmo sítio onde estivera a mãe dela. Eu lembro-me de estar ali com a minha avó e de pedir à minha mãe para me deixar ver a cara da minha avó. Mas com a minha mãe não consegui olhar para a sua cara; depois do enterro pensei que talvez tivesse sido um erro. Talvez eu aos nove anos, com a minha avó, que foi a minha primeira perda e o meu primeiro luto, tivesse tido uma reacção melhor do que a que tive 24 anos mais tarde...

Com a cobertura da tragédia de Pedrógão Grande, anda tudo com os nervos em franja, e não há reacções que agradem a toda a gente; é como se o país estivesse numa competição de luto, em que cada um acha que sofre mais e melhor a tragédia do que o outro. Talvez fosse bom que as pessoas pudessem ir para casa de uns primos espairecer, ou desligar a TV, os computadores, e telemóveis por uns dias. Será que não há uma regra de etiqueta que se aplique ao luto moderno?

Perdas e chuva

Nas piores horas ou quando preciso de voltar para algo que me dá algum conforto, volto sempre para a música de Tori Amos. Na obra há vários álbuns que falam de perdas. "Boys for Pele" tem a fúria e a calma da mulher que perde o seu amante; "From the Choirgirl Hotel" fala da perda de uma criança devido a aborto espontâneo, de nos sentirmos perdidas no casamento; o primeiro álbum "Little Earthquakes" é sobre a experiência de não ser criança, nem ser mulher, etc.

Hoje apeteceu-me ouvir Tori Amos, "Northern Lad", de "From the Choirgirl Hotel", talvez porque fala de perdas, mas também fala de chuva...

domingo, 25 de junho de 2017

O working man

O meu amigo E. vive em Oklahoma, onde o conheci na Oklahoma State University em 1995. Agora que me recordo, acho que passei o Thanksgiving the 1997 com ele e com a família em Ponca City. É uma das pessoas mais inteligentes que conheço, mas é péssimo a gerir a sua vida profissional. Tem um curso de História, gosta especialmente de história militar, escreve divinamente, tem um sentido de humor maravilhoso, extremamente cínico e irónico, há um toque de "darkness" no homem. Começou o mestrado, mas não terminou. Uma vez mostrei-lhe um paper de economia que eu tinha escrito e ele olhou para mim incrédulo, como se eu fosse um "cadáver intelectual", e disse-me que era a coisa mais aborrecida que alguma vez tinha lido. Não me esqueço do tom da sua voz e do incómodo que senti porque, para mim, o que eu tinha escrito era bom e interessante.

Os empregos que tem são blue collar, duros fisicamente, e, sendo ele obeso, comendo mal, e não se cuidando muito bem, já tem problemas no corpo. Tem artrite, de vez em quando desenvolve tendinite, etc. Diz-me sempre que é desta que vai fazer dieta, vai deixar de beber bebidas gaseificadas, vai fazer exercício, mas esses planos futuros nunca se materializam num presente. Meses atrás, recebi notícia de que, finalmente, os planos eram mesmo seguros, havia sucesso garantido, assim que melhorarasse de saúde. Nos três meses anteriores, ele que se queixa do estado papá, tinha ficado incapacitado e teve de pedir "food stamps" e Obamacare. Tinha de fazer uma operação ao ombro antes que Trump fosse presidente, mas não fez porque diz que o enganaram quando foi comprar seguro de saúde e não comprou um que estivesse dentro do Obamacare: ou seja, comprou um caro sem grandes benefícios.

O último emprego de que me falou foi um de principiante num talho, onde ficou menos de um ano. No emprego anterior, chateou-se com o gerente porque estava com problemas nos ombros e não o deixaram trocar de função. Despediu-se no momento, sem ter poupanças, alternativa de emprego, ou seguro de saúde. Quando conseguiu o emprego no talho, chateou-se porque não lhe deram um emprego melhor, mas ele nunca tinha trabalhado com carne. Eu disse-lhe que era um princípio, ele podia fazer disso aquilo que quisesse, se se investisse pessoalmente no emprego. Não fui muito simpática quando lhe disse isto porque ele está nesta situação por escolha própria. Um homem formado podia perfeitamente sair dali e ir ensinar no secundário ou regressar à universidade e fazer um mestrado.

Ficou chateado comigo e com a minha "straight talk", mas alguns dias depois regressou e disse que eu tinha feito bem em malhar nele. Decidiu que ia manter uma mente aberta no talho e que o objectivo dele era eventualmente estudar e, daqui a dois anos, submeter-se aos requisitos para ser inspector de carne na USDA. Achei um plano bom, até lhe disse mais tarde que, quando se candidatasse à USDA, podia dizer que, como tinha trabalhado mesmo no manuseio de carne, teria uma perspectiva mais rica de quais os problemas que podiam ocorrer e de como conversar com as pessoas nesses empregos. Ele achou que eu era genial e que devia ter mais pessoas como eu a falar com ele.

Mas ser genial com os amigos não adianta nada: ele ainda está na mesma situação, pois desistiu do talho...

sábado, 24 de junho de 2017

Respeito pela propriedade privada

Independentemente do que cada um pense sobre a proposta de quotas de género nos Conselhos de Administração das empresas cotadas, e todos sabem o que penso, deve ser assinalado que o Partido Comunista Português foi o único que respeitou a vontade dos donos das empresas ao não interferir nas nomeações dos seus Conselhos de Administração.

É um mundo interessante este em que, numa votação em que se tem de escolher entre a igualdade e o respeito pela propriedade privada, seja o PCP o único partido na assembleia a respeitar a propriedade privada.

Morder a bala

Às vezes, é preciso morder a bala ("bite the bullet"). As coisas não são o ideal, mas sobrevive-se...
http://www.humansofnewyork.com/post/137356399781/im-a-customer-engagement-program-operations

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Eu não sou comunista


Houve muita gente a querer explicar a crise da economia portuguesa só com os erros do Estado - apesar dos milhares de livros que saíram em todo o mundo sobre as falhas dos mercados. Na centro da minha explicação da crise estiveram sempre o Estado, o sistema financeiro e as empresas.
Agora defendi a nacionalização do SIRESP e voltaram-me a chamar comunista. 
Mas tudo isto tem explicação fácil: ignorância. 
Desculpem a arrogância, mas é mesmo assim.

Cuidem-se!

Depois de morrerem as 64 pessoas na consequência dos incêndios de Pedrógão Grande, o mínimo que se poderia fazer era investigar o que correu mal. Dado que não é a primeira vez que as coisas correm mal, o assunto já foi investigado antes e as falhas apontadas, ou seja, esta investigação não vai ter efeito nenhum; é apenas uma forma de fazer de conta de que algo está a ser feito pela segurança das pessoas, quando não há intenção nenhuma de seguir as recomendações.

Sendo assim, é mais honesto as pessoas terem noção de que o sistema falha e, quando falha, pode morrer alguém. Ou seja, cuidem-se e não contem com o estado português para vos salvar a vida de incêndios.


Call for papers 1




1.      Não fosse o mundo aquilo que é e não chamaríamos ninguém. Para nada e para lado nenhum.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

SIRESP: o país numa rede de interesses

Dado o ruído sobre a rede SIRESP, escrevi um artigo para o jornal ECO com base no meu conhecimento e  experiência como Secretário de Estado no Ministério da Administração Interna. Espero ter contribuído para uma discussão mais informada. Deixo aqui um trecho. Podem ler na íntegra aqui


Os problemas surgem logo na sua criação — ver, por exemplo, o artigo de Paulo Pena no Público (acesso condicionado). A opção por uma Parceria Público-Privada (PPP) foi um excelente negócio para os privados envolvidos. Os privados desta parceria são os suspeitos do costume: SLN/BPN (hoje Galilei, uma sociedade em liquidação com milhões de euros de dívidas ao Estado português), PT (que durante muitos anos fez grandes negócios por ajuste directo com o Estado Português) e, claro, o BES (neste caso através da sua parceria com a Caixa Geral de Depósitos na ESegur). Estes associados, conhecidos pelas suas ligações ao poder político representam o pior da promiscuidade no nosso regime económico e político, como hoje todos sabemos. Esta é sem dúvida uma das razões da má fama do SIRESP.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tlaloc

Tlaloc, o deus azteca da chuva, foi uma das esculturas que vi no Dallas Museum of Art, na exposição "Mexico and Me", que visitei no Sábado.



Head of the rain god Tlaloc, Mixtec, Late Postclassic period, c. 1300-1500, ceramic, tufa, stucco, and paint, Dallas Museum of Art, gift of Mr. and Mrs. Stanley Marcus in memory of Mary Freiberg

Um autodidacta louco

Saint-Simon (1760-1825), Robert Owen (1771-1859), Charles Fourier (1772-1837) e Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) foram os principais teóricos ou doutrinadores socialistas pré-Marx, e que este não hesitou em classificar de utópicos, por contraponto ao seu pretenso socialismo científico. Na década de 30 do século XIX, a conotação da palavra socialismo era mais ou menos isto: um sistema inventado de sociedade que privilegiava o social contra o egoísta; o cooperativo contra o competitivo; a sociabilidade contra o interesse individual; o controlo social estrito sobre a acumulação e o uso da propriedade privada; a igualdade económica ou pelo menos compensações segundo o mérito. Na realidade, as várias espécies de socialismo entretanto desenvolvidas (cooperativo, comunitário, anárquico, científico, libertário, democrático, etc.) nunca perderam de vista estas referências originais.
Dito isto, as ideias dos primeiros doutrinadores socialistas eram muito diferentes. Por exemplo, o conde Saint-Simon aspirava a um planeamento estatal através da infiltração e da persuasão de uma elite científica dedicada. Os engenheiros e artistas (pensadores criativos) formulariam planos; os cientistas avaliariam a exequibilidade desses planos; os industriais e banqueiros ficariam encarregados da sua execução. Saint-Simon seria, mais tarde, acusado de elitismo por outros socialistas.
Por seu turno, Charles Fourier era o caso paradigmático do autodidacta louco. E talvez por isso me tenha despertado curiosidade. Caixeiro, tipógrafo, caixeiro viajante, apenas se podia dedicar aos seus estudos e escritos durante algumas horas à noite. Talvez a maior fantasia de Fourier fosse que o trabalho, além de socialmente vantajoso, podia ser agradável e ajustado ao carácter e desejos de cada indivíduo. Fourier via a famosa fábrica de alfinetes de Adam Smith, onde cada um faz a sua parte da tarefa cuidadosamente dividida, como uma ameaça para a natureza humana. O trabalho “agradável” deveria ser variado, feito em cooperação e produzir coisas bem-feitas e duradouras. As famílias deveriam viver em pequenas comunidades de modo a que todos se conhecessem uns aos outros. Ao mesmo tempo, essas comunidades deveriam ser suficientemente grandes para garantir a auto-suficiência e a diversidade de talentos.
Fourier queria impedir o alastramento do princípio industrial que considerava uma ameaça à individualidade autêntica e ao prazer do trabalho. Estava convencido de que o processo de produção cooperativo podia ser mais eficiente do que o processo capitalista urbano. Ficou sempre no ar uma ambiguidade sobre o problema de as suas comunidades simplesmente voltarem as costas ao Estado e à sociedade convencional. Todavia, Fourier vislumbrava, no futuro, confederações de comunidades nacionais e depois internacionais.
Fourier foi buscar muito a Rousseau, nomeadamente a convicção de que o homem comum (honesto e natural) era mais virtuoso do que o aristocrata (sofisticado e corrupto) ou o erudito (artificial e arrogante). O homem deve ser capaz de fazer tudo, o que era muito o ideal americano de Jefferson e Jackson. Em suma, a sociedade deveria ser reconstruída de forma a garantir isto. Seria reconstruída em falanstérios cooperativos de 1 600 pessoas que cultivavam cerca de cinco mil acres. Todos teriam acesso a edifícios comuns, com serviços comuns, incluindo restaurantes, creches e salas de recreio. As necessidades básicas estariam garantidas, mas as ostentações seriam banidas pela opinião pública.
Para sua desgraça, quando as suas ideias começaram a atrair as atenções, as pessoas faziam troça ou ignoravam as suas tortuosas descrições. Seja como for, o seu princípio geral, a que chamava alternadamente “harmonia”, “solidariedade”, Unitéisme, Collectisme, Sociantisme ou Mutualisme, era tratado com respeito por alguns. Este foi o verdadeiro começo do socialismo comunitário.
Curiosamente, no século XIX, a doutrina de Fourier teve mais impacto nos EUA do que na França ou na Grá-Bretanha. Houve, de facto, várias experiências de comunidades de trabalhadores. Nenhuma destas “nobres experiências” durou muito. Alguns autores estudaram este insucesso e apontaram causas: subcapitalização, direcção financeira incompetente e um excesso de intelectuais muito exigentes e avessos ao trabalho, ou simplesmente incompetentes.
Nesta história, há outro dado que me parece curioso. Regra geral, as comunidades religiosas duram mais tempo. Talvez o amor ou temor absorvente a Deus seja a melhor (ou a única) forma de garantir a unidade de comunidades isoladas, esperançadas numa vivência mais satisfatória.


“.... lições dos fogos florestais de 2005, em álbum fotográfico..."

Luciano Lourenço é o Director do Departamento de Geografia da Universidade de Coimbra e Presidente da Direcção da Escola Nacional de Bombeiros. De entre a sua vasta produção académica sobre a temática dos incêndios florestais (pode ser consultada aqui), encontrei o artigo "As mediáticas “mãos criminosas dos incendiários” e algumas das “lições dos fogos florestais de 2005”, em álbum fotográfico. Contributo para a desmistificação dos incêndios florestais em Portugal". Deste, retirei algumas fotos ilustrativas. Sem mais comentários.

Foto. 1 - Área residencial situada na interface urbano/florestal (por razões óbvias, a localização e identificação das fotografias não é suficientemente pormenorizada)



Foto. 2 - Materiais inflamáveis no interior de uma área residencial confinante com espaço florestal.
Foto. 3 - Materiais inflamáveis no interior de uma área residencial confinante com área florestal.
Foto. 4 - Bomba de gasolina com materiais altamente inflamáveis no interior de uma área florestal, sem qualquer faixa de protecção.
Foto. 5 - Faixa de protecção exterior a uma área residencial sem manutenção.
Foto. 6 - Casa confinante com área florestal sem faixa de protecção exterior.
Foto. 7 - Pequena exploração industrial confinante com área florestal sem faixa de protecção exterior.




Foto. 8 - Estabelecimento de ensino confinante com área florestal sem faixa de protecção exterior.
Foto. 9 - Parque de campismo no interior de plena área florestal, sem faixa de protecção exterior.



Foto. 10 - Rede de água sem pressão, o que deixa a boca de incêndio sem qualquer utilidade prática.



Foto. 11 - Edificações contíguas às residências e à floresta, sem faixa de protecção exterior e sem condições de defesa fácil, situações que dificultam o combate ao incêndio florestal.

Foto. 12 - Recursos avultados para protecção de habitações rodeadas por uma baixa carga de combustível.


Fot. 14 - Depósito de carros velhos, em parte colmatados por silvas, um pormenor da falta de ordenamento e que, em caso de incêndio florestal, obriga à dispersão de recursos para salvar sucata abandonada.

Fot. 15 - Camião abandonado junto a habitação inserida em meio florestal. Na presença de fogo, o perigo aumenta substancialmente. Uma situação perfeitamente evitável.



Foto. 16 - Materiais altamente inflamáveis, no interior de área residencial confinante com área florestal, sem qualquer faixa de protecção.

Foto. 17 - Recursos humanos, em precárias condições de segurança, hipotecados na defesa de sucata, em detrimento da defesa da floresta.




Foto. 18 - Acção de emergência, perante a aproximação de um incêndio florestal. Construção de uma faixa de interrupção de combustíveis nas imediações de uma habitação de fim de semana, situada no interior de uma área florestal.

Foto. 19 - Pormenor do ponto de início de um incêndio florestal, mostrando a respectiva causa: projecção de partículas a partir de uma queima de resíduos agrícolas adjacente a uma área florestal.


Foto. 20 - Condição física pouco adequada ao combate de incêndios florestais.



Uma condição necessária do socialismo democrático

A teoria socialista (a palavra "socialista" terá aparecido em 1827 e "socialismo" em 1835) começou como uma crítica à teoria dos salários da economia clássica de Adam Smith e Ricardo: dizia simplesmente que eles eram definidos injustamente nas economias de mercado. Antes de Marx, os principais teóricos e doutrinadores socialistas (Saint-Simon, Charles Fourier, Proudhon e outras figuras menores) estavam muito longe do poder intelectual e do prestígio literário dos economistas escoceses e ingleses do laissez-faire. De qualquer maneira, o socialismo, nas suas mil e uma variantes, foi, desde o início, uma reacção e crítica ao capitalismo e um desejo (e descrição) de uma ordem social melhor.
As desigualdades de remuneração e de poder são em princípio injustificáveis, a não ser que delas decorra algum benefício público evidente, que de outra forma não poderia existir. Este argumento é invocado, nomeadamente, por John Rawls na sua Theory of Justice. A eliminação das desigualdades injustificáveis é, geralmente, considerada uma das condições necessárias para o chamado socialismo democrático. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

As tragédias

Um dos quadros que vi no Dallas Museum of Art, na exposição "Mexico and Me", foi "As Duas Fridas" de Frida Kahlo, que ilustra a tragédia pessoal que a pintora sentiu ao separar-se de Diego Rivera. Na Frida vestida de trajes tradicionais mexicanos, temos um coração saudável, com veias que a unem à Frida vestida com roupas europeias. O coração da Frida europeia está destroçado, com uma veia cortada, que precisa de uma pinça para estancar o sangue. Neste quadro, acho interessante que seja a Frida europeia, a mais sofisticada, que esteja destroçada e em risco.

Depois de uma tragédia há uma parte de nós que morre e o resto tem de encontrar forma de continuar a viver apesar de tudo o que sucedeu. Ninguém se torna forte sem passar por tragédias: é esse o preço que se paga para ser forte. Às vezes, as pessoas ficam chateadas quando alguém é forte demais, dizem que é preciso ser mais sensível, mas não é a sensibilidade que permite que alguém sobreviva. É preciso ter cabeça fria, ser calculista, e não hesitar, coisas feias que, em tempos normais, as pessoas tentam suprimir.